Até pouco tempo atrás se me perguntassem se sou ansiosa, eu jurava de pés juntos que não. Mas a verdade é que o que corre nas minhas veias é pura ansiedade.
Antes eu era ansiosa para que o tempo passasse logo e eu fosse independente. Hoje eu sou ansiosa para que o tempo passe menos depressa e para que eu possa deixar alguém decidir por mim de vez quando. Minha ansiedade é fator constante. E isso faz mal...
Vc também é do tipo “band-aid”, preferindo arrancá-lo rapidamente porque sentir uma única vez a dor intensa ainda é melhor do que senti-la moderada e repetitivamente? Por isso que eu não suporto depilação. Aquele passa-e-puxa-e-passa-e-puxa é um pesadelo para mim, ai! Antes mesmo da puxada, já estou contraindo todos os músculos e fechando as pernas, dificultando demasiadamente o trabalho da esteticista. Escuto atentamente: “Relaxa que dói menos”. Mas mal sobrevivi à primeira puxada, já estou suando por causa da próxima. E aí explico como isso tem a ver com ansiedade e não com a dor: sofro mais com a espera do que com a dor propriamente dita.
E é que assim funciono em tudo. Estou sempre sofrendo com a espera, querendo que tudo aconteça logo para dar fim à minha angústia. Quer ver eu ficar doida? Diga que precisa conversar comigo sobre um assunto, mas que deverá ser pessoalmente e sua agenda só estará livre depois de amanhã. Se vc fizer isso, é melhor se preparar ou para um enterro ou para uma invasão domiciliar. Eu não aguento esperar.
Já os anseios, estes sim são imprescindíveis. Sem eles não temos ambição nem desejos e com isso não temos objetivos. Não sei se sou singular nesse aspecto, mas sem objetivos, sem metas, eu me vejo num processo de eutanásia involuntária. O problema é o processo. Veja: de tempos em tempos eu paro para avaliar meus planos, tirar um balanço, constatar em qual degrau estou em relação à realização. Quando nada anda conforme deveria não perco tempo chorando: mudo o caminho, tomo atitudes, arregaço as mangas! E de vez em quando tudo está do jeito que deveria. Mais que isso, tudo caminha conforme deveria. E ao invés de alegria, meu peito se enche de ansiedade! Porque de duas uma: ou enfim minha meta será atingida ou logo logo algo de ruim acontecerá... A espera é um fardo insuportável.
Ah, não dá para viver assim! Então dou um basta à minha ansiedade e me tornarei adepta do “anti-band-aid”: arrancar aos pouquinhos sentindo menos dor – de repente dor nenhuma (exceto no que se refere à depilação)! As coisas não acontecem sempre no meu tempo, do meu jeito. Estou tirando essa pressão de mim e confio em mim – se coisas boas acontecem é porque mereço, se coisas ruins surgirem é porque tenho a força e a competência para superar, se errei... é porque sou capaz de aprender.
Um brinde à minha complexidade – para não dizer loucura! Rs...