PORQUE NA MAIORIA DAS VEZES SÓ APRENDEMOS DANDO CABEÇADA MESMO... RS

22 de dezembro de 2010

DECEPÇÕES

Eu estava pronta. Havia passado a tarde toda organizando minhas coisas, me preparando, fazendo e revendo minha lista de itens imprescindíveis - pois eu não funciono sem lista, sou atrapalhada demais para confiar tarefa tão importante ao meu cérebro... E mesmo com a lista tenho a capacidade de esquecer coisas importantes! Rs. Eu não queria surpresas, queria estar prevenida.

Eu estava pronta. E então pude relaxar...

Imersa nos meus pensamentos, resolvi deixa-los criar vida própria e sorri com minha curiosidade de onde eles me levariam. Só não esperava que chegassem num dos lugares mais obscuros de meu espírito, um lugar que evito visitar por me trazer um aperto no peito desnecessário, já que fatos do passado não mudam nunca – estão encerrados.

As decepções.

Lembrei-me de quando ralei o joelho por volta dos 4 aninhos justo no dia de um desfile infantil no qual eu orgulhosamente ia apresentar um vestido lindo que minha mãe fez, mas que agora eu me recusava a vestir com vergonha do machucado rosado.
Momentos de quando meu primeiro amor se recusou a receber minha devoção.
Minha primeira (de muitas, diga-se de passagem... Rs) nota vermelha.
Passei algum tempo nas inúmeras desculpas que meu pai dava para não passar tempo conosco. Depois fui foleando minha memória como num álbum de fotos, observando cenas de quando minha melhor amiga só pensava no namorado, um professor ridicularizando minha capacidade intelectual, minha colega de trabalho roubando minha ideia, de quando meu chefe predileto só demonstrou que gostava de mim quando fui embora. A pequena que não me desejou melhoras quando eu estava no hospital, alguém que não dividiu comigo o momento especial do casamento, pessoas que marcam e desmarcam compromissos como se eu estivesse à sua disposição. Uma amiga que me julgou preconceituosa, um amigo que eu amava que não teve a coragem de lutar por nossa amizade. Inúmeras falsidades. Tantas más intenções.

Quando esta viagem já estava insuportável demais, um segundo antes de pular do trem, me ocorreu algo verdadeiramente assustador. Na verdade três coisas.

Decepções são inevitáveis. Somos imperfeitos e a individualidade nos permite fazer escolhas. A necessidade de viver em sociedade cria laços que nos tornam sujeitos a interferências de outros. Seguir nossos próprios desejos é indispensável para atingir um pouco de felicidade, e, portanto, somos todos egoístas. Fiquei desesperada ao concluir que não existe muro alto e forte o suficiente para me proteger dessas decisões alheias que insistem em interferir nos meus sentimentos. Então como lidar com isso?

Decepções são desilusões, têm a ver com nossas expectativas e figuras daquilo que é o ideal para nós. Criamos mentalmente exemplos de amigo ideal, pai ideal, mãe ideal, irmão ideal, marido ideal. E quando alguém não age de acordo com isso, nos decepcionamos. É justo?

Cavando um pouco mais no mar de desilusões, fiquei mais apavorada quando percebi que algumas outras que também me magoaram profundamente estavam ligadas às minhas próprias falhas. Quando não por falta de atitude, por reações explosivas demais. Onde está meu equilíbrio? Ai... quantas pessoas eu já devo ter decepcionado... Esta constatação foi um tapa na cara.

Mas também um wake up call. Tantas vezes fiquei indignada com os outros, apontando a falta de consideração e respeito ao próximo, frustrada ao concluir que a cada dia o círculo de amigos diminui. E, no entanto, eu esquecia de olhar para mim mesma, não reavaliando o peso das minhas ações. Ou pelo menos não com a frequência que deveria. A autocrítica é um exercício doloroso, não é a toa que tantos fogem disso.

Mas é necessário. E decidi, assim mesmo, simplesmente num estalar de dedos, que a partir de então ficaria mais preocupada em buscar o melhor que eu possa ser, o “eu ideal”, ser a amiga-filha-mulher-mãe-cidadã que eu gostaria de ter, do que jogar meu tempo fora me sentindo indignada com os outros. Doa o que doer, a autocrítica será constante.

Quanto às magoas, encontrei algo que funciona para mim: sei que todos nós erramos, então é preciso ter tolerância, compreensão e paciência. Mas tudo tem limite. Estou delimitando as minhas fronteiras, separando aquilo que é aceitável e o que absolutamente não será tolerado, considerando os meus valores e crenças. Não aceito ser usada e a palavra família não torna as atitudes da mesma menos dolorosas ou com maior poder de perdão - aliás, muito pelo contrário: quando alguém da sua própria família te magoa, a cicatrização é muito mais demorada porque o corte é muito mais profundo. A reciprocidade é definitivamente essencial, embora não necessariamente em peso igual - o equilibrio é uma decisão pessoal, pois vc pode ligar 10 vezes por mês para alguém e ficar totalmente satisfeito em receber apenas um contato dele. É claro que isso não me protege das mágoas, mas ameniza a dor. Acima de tudo, me dá parâmetros para aceitar as decepções que eu mesma causei. E a pior parte ainda está por vir, pois desenhar as divisórias requer tanto cuidado e um autoconhecimento absurdamente apurado. Ainda estou no rascunho e meus defeitos são tantos que....

Uma batida na porta me arrancou de meus devaneios.

- Vc está pronta?

Pronta?

Não. Não mesmo.

24 de novembro de 2010

A ANSIEDADE DOS ANSEIOS

Até pouco tempo atrás se me perguntassem se sou ansiosa, eu jurava de pés juntos que não. Mas a verdade é que o que corre nas minhas veias é pura ansiedade.

Antes eu era ansiosa para que o tempo passasse logo e eu fosse independente. Hoje eu sou ansiosa para que o tempo passe menos depressa e para que eu possa deixar alguém decidir por mim de vez quando. Minha ansiedade é fator constante. E isso faz mal...

Vc também é do tipo “band-aid”, preferindo arrancá-lo rapidamente porque sentir uma única vez a dor intensa ainda é melhor do que senti-la moderada e repetitivamente? Por isso que eu não suporto depilação. Aquele passa-e-puxa-e-passa-e-puxa é um pesadelo para mim, ai! Antes mesmo da puxada, já estou contraindo todos os músculos e fechando as pernas, dificultando demasiadamente o trabalho da esteticista. Escuto atentamente: “Relaxa que dói menos”. Mas mal sobrevivi à primeira puxada, já estou suando por causa da próxima. E aí explico como isso tem a ver com ansiedade e não com a dor: sofro mais com a espera do que com a dor propriamente dita.
E é que assim funciono em tudo. Estou sempre sofrendo com a espera, querendo que tudo aconteça logo para dar fim à minha angústia. Quer ver eu ficar doida? Diga que precisa conversar comigo sobre um assunto, mas que deverá ser pessoalmente e sua agenda só estará livre depois de amanhã. Se vc fizer isso, é melhor se preparar ou para um enterro ou para uma invasão domiciliar. Eu não aguento esperar.

Já os anseios, estes sim são imprescindíveis. Sem eles não temos ambição nem desejos e com isso não temos objetivos. Não sei se sou singular nesse aspecto, mas sem objetivos, sem metas, eu me vejo num processo de eutanásia involuntária. O problema é o processo. Veja: de tempos em tempos eu paro para avaliar meus planos, tirar um balanço, constatar em qual degrau estou em relação à realização. Quando nada anda conforme deveria não perco tempo chorando: mudo o caminho, tomo atitudes, arregaço as mangas! E de vez em quando tudo está do jeito que deveria. Mais que isso, tudo caminha conforme deveria. E ao invés de alegria, meu peito se enche de ansiedade! Porque de duas uma: ou enfim minha meta será atingida ou logo logo algo de ruim acontecerá... A espera é um fardo insuportável.

Ah, não dá para viver assim! Então dou um basta à minha ansiedade e me tornarei adepta do “anti-band-aid”: arrancar aos pouquinhos sentindo menos dor – de repente dor nenhuma (exceto no que se refere à depilação)! As coisas não acontecem sempre no meu tempo, do meu jeito. Estou tirando essa pressão de mim e confio em mim – se coisas boas acontecem é porque mereço, se coisas ruins surgirem é porque tenho a força e a competência para superar, se errei... é porque sou capaz de aprender.

Um brinde à minha complexidade – para não dizer loucura! Rs...

4 de outubro de 2010

REFLEXÕES SEM NEXO COM NEXO

Eu estava viajando com meu namorado-amigo-marido-amante, quando tocou uma música que adoro desde a minha adolescência. Observando a paisagem hora verde hora tomada de anúncios que nos acompanhava ao lado da rodovia, comecei a vagar nas histórias que vivi quando “encontrei” essa música...

Eu tinha 13 ou 14 anos, acabava de descobrir a existência do rock e da minha paixão por aprender outros idiomas, e não demorou muito para o círculo de amigos mudar também, tornando-me, por assim dizer, um pouco rebelde (mãe, nem vem falar que eu fui muito rebelde, pois nem cheguei perto de drugs & rock ‘n roll como muitos outros). Talvez a palavra desobediente seja mais adequada aqui. Logo depois tive meu primeiro namorado, alguns vários “ficantes”, outro namorado, outras atitudes (não necessariamente mais tranqüilas)...

Fui boiando um pouco sobre o mar de lembranças e me ocorreu o quanto eu havia mudado desde os 13 anos, e fiquei surpresa ao perceber que algumas coisas não mudam: como eu ainda gostar daquela mesma música, sem nunca ter me enjoado dela.
Os anos se passam, a lista de músicas favoritas está sempre variando, mas umas três ou quatro sempre estão lá.

Acho isso particularmente engraçado, porque recentemente ando tendo provas concretas e irrefutáveis de que é mais fácil amarmos uma música durante a vida toda, do que amarmos uma pessoa até nosso último suspiro. Simplesmente porque o ser humano está constantemente mudando, às vezes evoluindo, às vezes retrocedendo. Mas a música continua a mesma. Sua melodia te leva muitas vezes sempre para o mesmo lugar.

Por isso eu realmente acho encantador e maravilhoso um casal que se ama e que envelhece junto. Para tanto devem ter sido capazes de no mínimo terem evoluído juntos ou retrocedido juntos, nesse ponto vale qualquer um! E acima de qualquer outra coisa, de manterem suas essências. Pelo menos eu, quando me apaixono seja por um namorado, seja por um amigo (sim, sou apaixonada por meus amigos), é a essência da pessoa que me seduz.

Sendo eu alguém que, nos últimos tempos, tem estado em um processo transitório mais intenso, tenho a oportunidade de reconhecer que se meu namorado-amigo-marido-amante continua ao meu lado, só pode ser por eu ainda ter a essência que ele ama. Pois praticamente todo o resto em mim está mudando. O vice-versa também é verdadeiro.

Às vezes a essência acaba sendo alterada mesmo, e o problema é que nem sempre isso é tão claramente perceptível, por a essência em si ser algo tão sutil em meio aos defeitos e qualidades. Admitir que o outro não é mais “aquela” pessoa, que provavelmente essa mudança foi obra da vida e que não tem mesmo um culpado, talvez seja uma das causas que tornam o rompimento de um relacionamento tão difícil de ser encarado.

Quando a música acabou, deixou no ar uma breve sensação de nostalgia. Mas logo veio a próxima, tão simples como virar a página de um livro...

16 de setembro de 2010

DU, UMA HOMENAGEM

Quando a morte leva alguém, todos os clichês são verdadeiros.

Pensamos em como deveríamos dar mais valor a quem amamos, como não deveríamos desperdiçar uma chance sequer de dizer “eu amo você”. Em como nós somos materialistas e egoístas. E em como o tempo não volta. Agora entendo de onde vêm os clichês...
A dor que não tem igual aperta nosso peito, nos enche de vazio. Engraçado como podemos ficar cheios de um vazio...

Esquecemos quaisquer brigas, a imagem mais bela é a que recebe nossas lágrimas, valorizamos as qualidades, esquecemos dos defeitos. O que vale é o coração. Somos perfeitos... do jeito que somos.
Em luto, reavaliamos toda sua vida, e encontramos um exemplo de bravura, coragem, determinação, luz.

E perfeição.

Observando as fendas em rochas antes inabaláveis, notei um pequeno milagre. Algo maravilhoso e comovente. A capacidade de o amor superar dimensões e atravessá-las como um simples sussurro no silêncio, transformando aquele que se foi, na força para conviver (pois jamais será superado) com o adeus sempre inesperado. Quase posso tocar as palavras...


Eu vivi intensamente, ri e chorei, cai e me levantei. Inúmeras vezes. Mas nunca desisti, e você também não irá.



Não sei o que nos espera após a morte, se existe vida ou se não. Mas algo me tocou pela primeira vez... O sentimento de perda de algo verdadeiramente insubstituível. E o que me conforta não é me convencer de que existem outras missões além desta minha realidade, mas a certeza de que o amor singelo, evidente e verdadeiro existe. De que ele vai além de laços familiares.

E eu tenho a sorte de senti-lo.


Du, você sempre nos trará forças quando estivermos fracos,
será nossa inspiração para vencer obstáculos,
e dividiremos nossas alegrias com você.
Pois o amor chega a qualquer lugar.
É só imaginar, e ele chegará lá.

31 de agosto de 2010

AUTOMANIPULAÇÃO

É... como adoramos a automanipulação!

Quem nunca se entregou a alguém se convencendo de que “eu to vivo hoje, é preciso aproveitar, afinal, quem sabe do amanhã?” (e se arrependeu depois)? Ou tomou uma taça enorme de sorvete pensando que serão apenas 50 minutos a mais na esteira e “amanhã eu compenso, sem falta”? Ou extrapolou o orçamento com mais uma calça calculando que passará os próximos dois finais de semana em casa e “não saio nem que a cava tussa”? Os problemas não são o carpe diem e a compensação... Os problemas são: quem morreu no dia seguinte e quem alguma vez cumpriu as promessas?

Quando nascemos, a certeza é única: a morte. Mas viver um dia por vez, afirmo com segurança, é automanipulação. Quem vive cada dia como se fosse o último não se preocupa com as conseqüências, não poupa, e, pior do que fazer só o quer, quer fazer tudo o mais rápido possível. Beiraria a perfeição... se tudo isso fosse verossímil e se para isso não existissem alguns fatores que independem da nossa vontade. É manipular o senso de responsabilidade.

E viver compensando – manipulando - tudo é viver com culpa, com cobranças. E para quê? Não se manipule... seja realista! Você merece tudo aquilo que vc pode ter (cuidado para não entender essa frase com “tudo o que vc quer ter”). Penso que o equilíbrio é a chave para muitas coisas, e sou contra exageros. Sou contra fanatismo e absolutismo.

Se entregue, mas aos poucos, sem acabar com todo mistério logo de cara (e esteja mais preocupado em conhecer a pessoa do que com o que ela pensa de vc). Tome sorvete sem zerar o estoque da sorveteria. Compre a calça se ainda tiver espaço no armário. Viva: faça esporte para cuidar do coração – vc vai precisar dele hoje e amanhã; saia com os amigos – vc vai precisar deles hoje e amanhã. E viaje muito, pois vc vai querer histórias para contar.

Viver hoje,é construir o amanhã. Então por que destruí-lo?

Mas não se engane, quer dizer, não se manipule! Outros tipos de automanipulação estão por aí... Tem a automanipulação que, na minha opinião, é a do pior tipo: quando vc errou, sabe que errou, mas se convence – quer dizer, se manipula – de que não errou, não fez, não falou, não ouviu. Esse tipo aí interfere na vida dos outros. Chega um momento em que vc realmente começa a acreditar na sua mentira... ou melhor, na sua verdade. Muito perigoso. Admito: já fiz. Não só uma vez. Mas quando eu mesma nem sabia mais da verdade, decidi nunca mais brincar – manipular - com isso.

E tem a automanipulação dos sentimentos. Talvez eu seja a única pirada desse mundo (ou do universo? credo...), mas tudo que eu não quero, acontece, e tudo que eu quero, não acontece. Por exemplo: pego trânsito todos os dias e acho um tempo perdido. No dia em que estou só o pó e quero dormir um pouco... bugger! A avenida parece uma pista de corrida. Então, muito esperta que sou, quando estou com aquele sono danado, tento acreditar piamente de que “ah, que droga, não terá trânsito e não conseguirei descansar”. E para minha surpresa (ou nem tanto, já que é esse o objetivo)... trânsito! O problema é que nem sempre dá certo e eu fico maluca tentando manipular o que sinto para conseguir mudar os fatos (como se isso chegasse perto do possível e fizesse qualquer sentido).
Ou quando eu saio de casa e fico com a sensação de que deixei a luz ligada. Mesmo sabendo bem lá fundo que eu desliguei, passo o dia i-n-t-e-i-r-i-n-h-o reclamando da maldita da conta de luz que virá um a-b-s-u-r-d-o. Explico: por causa do meu jeito estabanado de ser (fazer tudo correndo sem processar o que fez), tento manipular o sentimento de segurança (desliguei a luz) em insegurança (será que desliguei) para evitar de chegar em casa, me deparar com a luz acesa e constatar de que eu estava enganada no pior cenário (não desliguei a luz). Então prefiro estar enganada no melhor cenário (desliguei a luz). Deu pra entender ou isso já é um sinal de demência?

Enfim... percebi que sinceridade é um negócio enredado. Se já é difícil ser sincero consigo mesmo, imagina o ser com os outros... Fugimos da sinceridade e usamos da automanipulação porque somos cheios de defeitos e de vontades sem razões, e é mais fácil se convencer de outro ângulo (não passa de desculpa) e de motivos (no fim desnecessários), do que encarar a realidade e suas conseqüências.

23 de agosto de 2010

EU DECIFRANDO MIM

O que realmente está sujeito a mudança? Ou melhor: o que realmente muda?
Atitude eu sei que muda. Quando mudamos de atitude, muda também nossa personalidade? Podemos ser e agir diferente?

Durante uma conversa com meu namorado ele disse que eu não sou constante nos meus esforços para contribuir na organização da casa. Durante 3 dias lavo muita louça, cozinho, mantenho minha papelada em ordem. Daí nos 5 dias seguintes só faço metade disso, ou nem isso. O motivo é simples: se esforçar cansa.
Não é esperar que os outros façam por mim, mas eu simplesmente não me incomodo com desorganização. Não sou folgada. Para quem a estrutura é muito importante, pode até parecer que sou folgada porque esta pessoa acha que cada coisa tem seu lugar. Mas acontece que para mim tem coisas que não têm lugar e então é injusto achar que eu espero que o outro guarde aquilo que eu larguei por aí.
Mas como eu havia decidido que seria mais fácil eu me estruturar do que um organizado se conformar com bagunça...

A questão é: será que um dia os meus esforços deixarão de ser uma guerra interna e passarão a fazer parte da minha personalidade?
Pois viver em guerra consigo não dá... E eu não estou exagerando ao dizer que é uma guerra. Todos os dias eu preciso me convencer de que é mais fácil já dar o destino correto para as roupas que usei no dia, ao invés de pendurar no banheiro e arrumar tudo no sábado. Preciso me convencer disso... pois sinceramente ver roupa acumulada no banheiro não me incomoda. Se vier visita é só tirar tudo rapidinho e enfiar em algum lugar... (sim... essa sou eu! Rs). Mudar aquilo que não te incomoda é uma luta.
Mudar aquilo que tem uma explicação com embasamento indiscutível, como toalha molhada em cima da cama e lixo transbordando, é definitivamente algo que sofre menos resistência.
Detesto arrumar a casa, detesto cozinhar, detesto me organizar! Minha mãe me falou inúmeras vezes que ser adulto e independente é ser responsável por tudo isso... e eu achei que estava pronta, que daria conta. E agora tudo que sinto é exatamente o contrário de liberdade. Sinto-me presa às obrigações e às expectativas, sinto que não existe mais espaço para ser eu mesma.

Mas pensando bastante sobre o assunto percebi que talvez esteja certo mesmo eu me sentir assim. Muitas pessoas devem passar pela mesma sensação. É a tal da transição, não é? Ser adulto e moleque ao mesmo tempo. Uma hora um deles precisa ser fator predominante, e não tem como fugir disso.
Acho que no meu caso terei mesmo que lutar diariamente com a moleca insistente e teimosa, e esperar que a adulta tome mais sua forma.

E enquanto a conclusão acima deveria me trazer alguma paz de espírito, me pergunto: adultos desorganizados e bagunceiros são na verdade imaturos? É isso que estou afirmando com minha teoria do fator predominante? Será que não estou escolhendo o caminho mais fácil ao invés de admitir que não só a bagunça mas também minha característica explosiva, minha dificuldade em aceitar aquilo que não é como eu gostaria e minha resistência em permitir críticas sem sobreaviso pertencem à minha essência? Porque se for isso, ficarei esperando a adulta pelo resto da vida e ela nunca virá.

Acho que ainda terei um longo caminho pela frente até descobrir quais as perguntas corretas... para depois ir atrás das respostas corretas.

16 de agosto de 2010

SILÊNCIO

Palavras não ditas. Explicações não dadas. Sentimentos não divididos.
Palavras abandonadas. Explicações soterradas. Sentimentos coagidos.
Palavras impedidas. Explicações travadas. Sentimentos comprimidos.
O silêncio...
Uma revolta calada, uma batalha invisível.
A desilusão maquiada, o olhar desviado.
Coragem suprimida, ações esquivadas.
O silêncio...
É uma tristeza, uma dor, uma decepção.
É a fúria, o desespero, a angústia.
É remorso, reflexão. É culpa.
O silêncio...
É um lugar escondido na loucura, um ato pensado evitando o impensado, é imposição, é frustração... É uma aventura insensata... É câncer.
O silêncio é uma indigestão corrosiva cujo resultado é um só. Distância.

11 de agosto de 2010

EU GOSTO!

Ai, caramba! Aiai...
Encontrei com minha tia muito querida esses dias, e de brinde vieram as lembranças... Ah, se isso se resumisse somente a lembrar! Não, a tonta aqui não se contenta em lembrar, ela precisa reavaliar, refletir e reprocessar as lembranças. Fala sério.
Mas passado o meu breve desabafo de revolta interna relatado acima, como sempre, tenho que admitir que reavaliar o passado pode trazer algumas explicações. De vez em quando nos perguntamos o que nos influenciou e nos tornou o que somos hoje, não é? (Ou sou só eu que sou doida?)
Eu percebi uma coisa muito importante e que está me tirando do sério de tão confuso. Durante toda minha vida eu fiz coisas porque minha mãe achava que eu tinha jeito para coisa (mas no fundo talvez fosse o que ela queria ter feito quando pequena...), ou porque todo mundo faz, ou porque daria um papo interessante numa roda de amigos. É relativamente normal os pais passarem suas frustrações aos filhos (e como agora eu quero nunca fazer isso quando tiver filhos!)... mas neste momento estou mais preocupada nas conseqüências disso na minha vida hoje. Vou me explicar melhor: ultimamente sinto que não consigo terminar nada do que comecei. Isso iniciou quando eu terminei a faculdade. Me dei conta de que durante a faculdade eu fiquei focada em me formar – afinal não tinha escapatória. E agora, sem aulas, formada, independente financeiramente, morando sozinha, poderia enfim fazer o que eu quisesse! Certo? Aí foi que começou o problema.
Entrei na academia. Empolgadíssima! Tão empolgada que não durou muito para eu começar a ter aquela preeeeguiiiiiçaaaaa de ir... Daí comecei arco e flecha. Sim, legal, né? Sério, ajuda na concentração, na postura, é muito bom para os stress, vc devia fazer! Se quiser te indico... opa, to perdendo o foco, quase esquecendo que não to numa mesa com outras pessoas tentando fazê-las se interessarem por mim, e se lembrarem de mim “nossa, olha que legal, ela faz arco e flecha, que mulher interessante”– e praticamente me obrigando a fazer arco e flecha quase que somente para usar como recurso de chamar atenção dos outros. Horrível isso, né? Eu tenho outros milhares de exemplos para dar... Quando percebi que estava fazendo coisas pelos motivos errados, veio a pergunta: o que eu quero fazer?
Antes disso eu precisava encontrar resposta para outra questão: o que eu gosto de fazer? Não sei! Sinceramente, não sei.
E to nessa ainda... super angustiada. To criando uma lista daquilo que acho que gosto. Porque quando vc passa a vida toda fazendo coisas por todos os motivos imagináveis, exceto pelo mais importante que é porque vc gosta, fica difícil pensar em algo que vc faria por nenhum outro motivo a não ser porque vc gosta.
To começando por dança, e ainda vou reavaliar o arco e flecha – porque faz tão bem para postura e para concentração, nossa, vc não tem noção...

6 de agosto de 2010

CADA VEZ MELHOR

É incrível o poder de metamorfose do ser humano. Mas como o tio de Parker disse: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades...
Achou exagero? Pensa bem... se mudar depende somente de vc, e vc sabe que pode mudar (que vc tem o poder para isso), como isso afetará a sua vida? E como afetará as pessoas que fazem parte da sua vida?
Costumamos gastar muita energia processando e reprocessando atitudes dos outros que nos magoaram, irritaram e decepcionaram. E quando somos nós que magoamos alguém, existe sempre uma explicação plausível (ao nosso ver).
Outro dia meu namorado me perguntou se eu não me importo com a bagunça que faço em casa. Eu respondi que não. “Por quê?” – Como assim “por quê”? Eu sou um pouco bagunceira sim, mas isso não me incomoda; E então veio o comentário típico daquele ser que eu amo deve ser porque sou masoquista... “Se vc sabe que é bagunceira, por que não quer melhorar isso? Por quê não ser melhor?”
Inúmeras respostas me vieram à cabeça naquele momento, nenhuma muita educada – diga-se de passagem. Mas aproveitei para fazer um treinamento rápido e intensivo de auto-controle, segurei meu temperamento explosivo e me retirei. Mas sabe que a pergunta “por quê não ser melhor” ficou insistindo em invadir meus pensamentos e acabei por começar a refletir sobre isso.
Na minha opinião podemos sempre melhorar, mas a questão do ser melhor é, digamos, mais embaixo... Se vc está satisfeito consigo mesmo (e não tem nada de errado nisso - eu acho fantástico), mas seu jeito de alguma forma afeta negativamente uma pessoa que faz diferença na sua vida... melhorar para esta pessoa significa para vc mudar.
No meu caso mais superficial – o da bagunça – achei que seria mais fácil eu me organizar mais dentro de casa do que ele se adaptar com a zona. E no final das contas, fiquei surpresa quando percebi como nosso cubículo que chamamos de lar não é tão pequeno assim. Agora também não preciso sair arrumando tudo antes de uma visita chegar... Ah! Lembrei porque amo aquele ser...
Ainda assim, quando se trata de algo mais determinante na sua personalidade, melhorar pode requerer mudanças profundas na sua espontaneidade. Cabe à vc decidir se é algo que vc acredita que realmente vale a pena – nem sempre somente por vc. Às vezes vc está bem consigo mesmo, pensando que afinal tem mais qualidades que defeitos... mas uma coisa irrelevante para vc pode ser imprescindível para uma pessoa que vc ama.
Eu decidi que quero me concentrar mais nos meus poderes, e ser mais responsável no sentido de realmente querer viver na sociedade (e ter família e amigos). Para isso vou precisar levar em consideração como meus atos podem influenciar meu próximo. Sem perder a minha essência... Meta difícil!