PORQUE NA MAIORIA DAS VEZES SÓ APRENDEMOS DANDO CABEÇADA MESMO... RS

14 de janeiro de 2011

EU SOU A VÍTIMA!

Entrei na onda do meu namorado-amigo-marido-amante e comecei a baixar podcasts da Internet. Adoro ouvir o que gosto na hora que eu quero, dá uma sensação de liberdade... E normalmente escuto meus podcasts enquanto agonizo na esteira da academia, numa tentativa (na maioria das vezes fracassada) de me distrair do esforço físico.

Então lá estava eu andando apressada para chegar a lugar algum, ouvindo o doutor Gikovate no seu programa da rádio CBN. E calhou de o assunto abordar uma questão muito real para mim: a vitimização.

Neste caso aqui falo das pessoas que apelam e se utilizam de desculpas para escapar da responsabilidade dos próprios atos e decisões, e tentam incansavelmente fazer com que o outro passe a mão na sua cabeça. Quando este indivíduo erra, ao invés de assumir, ele procura por justificativas – em sua maioria de ordem sentimental do tipo “estou numa fase muito difícil” e sempre tentando inverter o jogo para culpar o outro. Eu já fui acusada de nunca ter apoiado uma pessoa, a mesma que nunca me procurou. Também me cobraram de não “ouvir” alguém, o mesmo que nunca falou comigo. É tão estúpido isso, e, ainda assim, por amarmos este ser, cedemos e deixamos entrar em nosso coração uma culpa indevida.

Gente, não sou hipócrita, não nego que já fiz uso desse instrumento injusto e ridículo, mas nunca em proporções desastrosas que chegassem ao ponto de se tornarem um estilo de vida. Uma vez que compreendi o significado da vitimização e de suas consequências no meu desenvolvimento mental e espiritual, posso afirmar que quem usa isso interrompe o seu processo de amadurecimento. E tem muitas pessoas que só sabem viver assim! Claro, é mais fácil...

Citando Gikovate: “as pessoas que se colocam como vítimas, ou gostam desse papel de vítima, nas relações ou nas situações interpessoais em geral, costumam ser personagens mais da linhagem egoísta, ou seja, pessoas que têm pouca tolerância para frustação e contrariedade e que usam, inclusive, esta condição em que elas se colocam (de vítima) para tentar gerar e usufruir de algum benefício. (...) Têm sempre o dedo apontado para fora, tudo que acontece de errado é culpa de alguém externo. Nada, nunca, é responsabilidade dela. (...) Gostam de evocar o passado, tudo que possa ter sido objeto de mágoa, trauma, sofrimento na infância, adolescência. (...) Elas têm um caderninho preto onde deixam registrado todas as coisas equivocadas que possam ter sido feitas para elas (...) ao longo de toda a vida passada. Guardam isso não como mágoa ou rancor, mas como instrumento para obter poder e força sobre o seu interlocutor. (...) É sempre vítima do destino, vítima do passado, vítima das situações e dos eventos atuais, posto que tudo depende efetivamente de responsabilidade externa, nunca assume para si qualquer tipo de responsabilidade. (...) Têm posturas defensivas e que têm que ser objeto de ironia, quer dizer, a gente não pode levar isto a sério e muito menos desenvolver aquilo que eles pretendem com o papel de vítima, que é despertar a pena. Ou seja, se ficar com pena, a gente vai lá e faz a vontade do cidadão, que é exatamente o objetivo pretendido.”

“A gente não pode levar isto a sério”.

Apoiada nesta frase, digo com firmeza – e isso vale a quem a carapuça servir:

Não adianta vir com esse tipo de argumento para cima de mim, porque não vai funcionar! O fato de eu ter errado no passado, não te dá o direito de fazer o mesmo, tenha o mínimo de senso para admitir que cada um faz as suas próprias escolhas. Apoio e compreensão cada um dá do jeito que pode e sabe, e não confunda isso com “passar a mão na cabeça” – que é a mesma coisa que pedir para sentirem pena de vc, e isso é simplesmente nojento. Na vida nós criamos as oportunidades, e eu ter tido melhores que vc não pode ser usado como justificativa para vc não estar tão longe quanto gostaria, e muito menos significa que eu recebi tudo de “mão beijada”. A única verdade que se pode tirar de uma comparação demasiada absurda como esta, é que provavelmente eu devo ter lutado e me arriscado mais que vc. Quem quer desabafar, pode contar comigo. Mas não espere que eu tenha uma bola de cristal para adivinhar quando estiver precisando de mim. Quem quer apoio e compreensão tem que pedir! Tem que falar! Tem que dar sinal de fumaça! Se vc está numa fase difícil não pode usar isso para explicar seus erros. Nós temos SEMPRE uma escolha. Uns chamam de livre arbítrio, outros de consciência. Isso quer dizer que vc pode escolher entre esperar que o mundo considere seu momento complicado e seja menos duro com vc, ou vc pode escolher aprender com as diversidades que a vida coloca no teu caminho e se fortalecer. Vc pode escolher entre deixar o problema te corroer, ou lutar para vencê-lo. De qualquer forma, saiba que normalmente o mais difícil a se fazer, aquilo que demanda mais coragem e que mais te assusta, muitas vezes é a escolha mais correta para seu futuro.

Somos todos vítimas. Vítimas de acidentes, doenças, roubos, traições, decepções. A diferença é o que cada um vai fazer disso. E tirar vantagem da própria posição de vítima, é indiscutivelmente degradante.