O que realmente está sujeito a mudança? Ou melhor: o que realmente muda?
Atitude eu sei que muda. Quando mudamos de atitude, muda também nossa personalidade? Podemos ser e agir diferente?
Durante uma conversa com meu namorado ele disse que eu não sou constante nos meus esforços para contribuir na organização da casa. Durante 3 dias lavo muita louça, cozinho, mantenho minha papelada em ordem. Daí nos 5 dias seguintes só faço metade disso, ou nem isso. O motivo é simples: se esforçar cansa.
Não é esperar que os outros façam por mim, mas eu simplesmente não me incomodo com desorganização. Não sou folgada. Para quem a estrutura é muito importante, pode até parecer que sou folgada porque esta pessoa acha que cada coisa tem seu lugar. Mas acontece que para mim tem coisas que não têm lugar e então é injusto achar que eu espero que o outro guarde aquilo que eu larguei por aí.
Mas como eu havia decidido que seria mais fácil eu me estruturar do que um organizado se conformar com bagunça...
A questão é: será que um dia os meus esforços deixarão de ser uma guerra interna e passarão a fazer parte da minha personalidade?
Pois viver em guerra consigo não dá... E eu não estou exagerando ao dizer que é uma guerra. Todos os dias eu preciso me convencer de que é mais fácil já dar o destino correto para as roupas que usei no dia, ao invés de pendurar no banheiro e arrumar tudo no sábado. Preciso me convencer disso... pois sinceramente ver roupa acumulada no banheiro não me incomoda. Se vier visita é só tirar tudo rapidinho e enfiar em algum lugar... (sim... essa sou eu! Rs). Mudar aquilo que não te incomoda é uma luta.
Mudar aquilo que tem uma explicação com embasamento indiscutível, como toalha molhada em cima da cama e lixo transbordando, é definitivamente algo que sofre menos resistência.
Detesto arrumar a casa, detesto cozinhar, detesto me organizar! Minha mãe me falou inúmeras vezes que ser adulto e independente é ser responsável por tudo isso... e eu achei que estava pronta, que daria conta. E agora tudo que sinto é exatamente o contrário de liberdade. Sinto-me presa às obrigações e às expectativas, sinto que não existe mais espaço para ser eu mesma.
Mas pensando bastante sobre o assunto percebi que talvez esteja certo mesmo eu me sentir assim. Muitas pessoas devem passar pela mesma sensação. É a tal da transição, não é? Ser adulto e moleque ao mesmo tempo. Uma hora um deles precisa ser fator predominante, e não tem como fugir disso.
Acho que no meu caso terei mesmo que lutar diariamente com a moleca insistente e teimosa, e esperar que a adulta tome mais sua forma.
E enquanto a conclusão acima deveria me trazer alguma paz de espírito, me pergunto: adultos desorganizados e bagunceiros são na verdade imaturos? É isso que estou afirmando com minha teoria do fator predominante? Será que não estou escolhendo o caminho mais fácil ao invés de admitir que não só a bagunça mas também minha característica explosiva, minha dificuldade em aceitar aquilo que não é como eu gostaria e minha resistência em permitir críticas sem sobreaviso pertencem à minha essência? Porque se for isso, ficarei esperando a adulta pelo resto da vida e ela nunca virá.
Acho que ainda terei um longo caminho pela frente até descobrir quais as perguntas corretas... para depois ir atrás das respostas corretas.
Ná, eu acho que você está se cobrando por algo que, em seu íntimo, acha que não deve ser pago. Até penso que somos resultado do que fazemos e não do que pensamos, mas uma simples besteirinha como arrumação da casa não faz de você menos ou mais madura. Na minha opinião, é apenas mais uma forma que a sociedade encontrou de encabrestar todo mundo e passar a falsa sensação de controle sobre sua vida.
ResponderExcluirDeixe as roupas espalhadas e seja feliz! Quando quiser, arrume-as, senão, os incomodados que o façam!
Te apoio integralmente!
Oi Bubu! Sabe que depois de escrever esse texto ainda fiquei pensando sobre isso... e cheguei à conclusão que é bem isso mesmo: o bem-estar é que vale. Se não existe em momento algum o sentimento de culpa, então estamos sendo fieis à nossa personalidade!
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