PORQUE NA MAIORIA DAS VEZES SÓ APRENDEMOS DANDO CABEÇADA MESMO... RS

23 de agosto de 2010

EU DECIFRANDO MIM

O que realmente está sujeito a mudança? Ou melhor: o que realmente muda?
Atitude eu sei que muda. Quando mudamos de atitude, muda também nossa personalidade? Podemos ser e agir diferente?

Durante uma conversa com meu namorado ele disse que eu não sou constante nos meus esforços para contribuir na organização da casa. Durante 3 dias lavo muita louça, cozinho, mantenho minha papelada em ordem. Daí nos 5 dias seguintes só faço metade disso, ou nem isso. O motivo é simples: se esforçar cansa.
Não é esperar que os outros façam por mim, mas eu simplesmente não me incomodo com desorganização. Não sou folgada. Para quem a estrutura é muito importante, pode até parecer que sou folgada porque esta pessoa acha que cada coisa tem seu lugar. Mas acontece que para mim tem coisas que não têm lugar e então é injusto achar que eu espero que o outro guarde aquilo que eu larguei por aí.
Mas como eu havia decidido que seria mais fácil eu me estruturar do que um organizado se conformar com bagunça...

A questão é: será que um dia os meus esforços deixarão de ser uma guerra interna e passarão a fazer parte da minha personalidade?
Pois viver em guerra consigo não dá... E eu não estou exagerando ao dizer que é uma guerra. Todos os dias eu preciso me convencer de que é mais fácil já dar o destino correto para as roupas que usei no dia, ao invés de pendurar no banheiro e arrumar tudo no sábado. Preciso me convencer disso... pois sinceramente ver roupa acumulada no banheiro não me incomoda. Se vier visita é só tirar tudo rapidinho e enfiar em algum lugar... (sim... essa sou eu! Rs). Mudar aquilo que não te incomoda é uma luta.
Mudar aquilo que tem uma explicação com embasamento indiscutível, como toalha molhada em cima da cama e lixo transbordando, é definitivamente algo que sofre menos resistência.
Detesto arrumar a casa, detesto cozinhar, detesto me organizar! Minha mãe me falou inúmeras vezes que ser adulto e independente é ser responsável por tudo isso... e eu achei que estava pronta, que daria conta. E agora tudo que sinto é exatamente o contrário de liberdade. Sinto-me presa às obrigações e às expectativas, sinto que não existe mais espaço para ser eu mesma.

Mas pensando bastante sobre o assunto percebi que talvez esteja certo mesmo eu me sentir assim. Muitas pessoas devem passar pela mesma sensação. É a tal da transição, não é? Ser adulto e moleque ao mesmo tempo. Uma hora um deles precisa ser fator predominante, e não tem como fugir disso.
Acho que no meu caso terei mesmo que lutar diariamente com a moleca insistente e teimosa, e esperar que a adulta tome mais sua forma.

E enquanto a conclusão acima deveria me trazer alguma paz de espírito, me pergunto: adultos desorganizados e bagunceiros são na verdade imaturos? É isso que estou afirmando com minha teoria do fator predominante? Será que não estou escolhendo o caminho mais fácil ao invés de admitir que não só a bagunça mas também minha característica explosiva, minha dificuldade em aceitar aquilo que não é como eu gostaria e minha resistência em permitir críticas sem sobreaviso pertencem à minha essência? Porque se for isso, ficarei esperando a adulta pelo resto da vida e ela nunca virá.

Acho que ainda terei um longo caminho pela frente até descobrir quais as perguntas corretas... para depois ir atrás das respostas corretas.

2 comentários:

  1. Ná, eu acho que você está se cobrando por algo que, em seu íntimo, acha que não deve ser pago. Até penso que somos resultado do que fazemos e não do que pensamos, mas uma simples besteirinha como arrumação da casa não faz de você menos ou mais madura. Na minha opinião, é apenas mais uma forma que a sociedade encontrou de encabrestar todo mundo e passar a falsa sensação de controle sobre sua vida.

    Deixe as roupas espalhadas e seja feliz! Quando quiser, arrume-as, senão, os incomodados que o façam!

    Te apoio integralmente!

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  2. Oi Bubu! Sabe que depois de escrever esse texto ainda fiquei pensando sobre isso... e cheguei à conclusão que é bem isso mesmo: o bem-estar é que vale. Se não existe em momento algum o sentimento de culpa, então estamos sendo fieis à nossa personalidade!

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