PORQUE NA MAIORIA DAS VEZES SÓ APRENDEMOS DANDO CABEÇADA MESMO... RS

5 de maio de 2011

OPA, DOIS PONTOS PARA MIM!

Acabei de voltar de um almoço super agradável com colegas de trabalho. Engraçado como alguns minutos na companhia de pessoas receptíveis podem mudar o seu dia. Quem acompanha meus textos sabe das minhas buscas internas, do meu processo de autoconhecimento, e uma das consequências foi eu sair um pouco de cena e ser mais observadora. Com isso, me tornei mais quieta, quer dizer, quieta jamais pois continuo desafiando a capacidade máxima por minuto que minha boca consegue pronunciar, rs, mais não falo mais “pelos cotovelos”, entende? Antes eu me abria com qualquer um que mostrasse um mínimo de interesse em saber da minha vida, hoje já não me sinto mais tão confortável em dividir meus problemas nem minhas conquistas. Acho que coloquei um filtro entre pensamento e boca... Ponto para mim!

E hoje, no almoço, encontrei três pessoas com as quais me senti à vontade para compartilhar uma parte um tanto quanto obscura de minha vida. Contei um pouco de como era meu relacionamento com meu pai na minha infância para dar um contexto no que viria depois. Pincelei fatos que explicavam um rompimento. E quando terminei, as três me olharam e comentaram... “sempre achamos que é a gente que tem os piores problemas, a pior família, e depois descobrimos outra história ruim, né?”
Isso me fez pensar... cada um tem o seu pior. Tá aí a mais pura verdade.

Entre sorrisos a me afagar, continuaram... “deve ser difícil passar por isso, caramba, vc precisa ter uma cabeça boa para lidar com tudo”. E quando fui responder a estes cuidados, percebi que meu peito se encheu de uma tranquilidade inesperada, um sentimento de paz raro, quase anestésico. Eu disse:

“Gente, é complicado mesmo. Mas quer saber? Estou tentando aprender a conviver com tudo isso, porque superar a gente nunca supera. Não superamos uma morte – aprendemos a conviver com a falta que a pessoa nos faz. No meu caso, eu vou aprender a conviver com as decepções que me machucaram. A ferida está aberta ainda, mas logo cicatriza.”

Voltando para minha mesa, pensei comigo... A ferida cicatriza, mas a marca – a cicatriz – estará sempre aqui para me lembrar do que eu sou feita.

Talvez vcs estejam imaginando que, ao sentar à minha mesa, eu tenha sido preenchida com angústia e tristeza, talvez até consigam sentir a cicatriz latejando... Mas, estranho, não foi isso que me aconteceu. Para minha surpresa, a tranquilidade continuou e percebi algo muito animador (alguém aí achou que agora viria a palavra “devastador”? Rs). Enquanto eu compartilhava minha história, não a revivi. E isso é muito importante, pois revivendo um acontecimento, vc acaba sentindo tudo de novo, e acaba se machucando, de novo. Chegar ao ponto de entender que, para alguém se simpatizar com o que vc já passou, basta mostrar uma cicatriz - sem precisar reabri-la.

Ponto para mim!

E se não estiver cicatrizado ainda... Eu prefiro deixar com o curativo. Mostrar, só se tiver real potencial de me ajudar no processo de cura, caso contrário o benefício em nada supera a dor.

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